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2月15日 O quintalToquei a campainha. Ninguém atendeu. Acho que não estão em casa, pensei. Engraçado, não me disseram que iriam sair. Ou não teria vindo. Mas agora estou aqui e é tarde, não tenho como voltar. Quem sabe não fico nos fundos da casa, aguardando até que cheguem. Na rua está escuro e é perigoso. Vou pular o portão e aguardar lá dentro. Já pulei este portão uma vez. Mais a frente existe um outro portão pequeno, que prende o cachorro, e depois um caminho estreito, que passa por volta da casa e vai dar nos fundos. Subi em um degrau no muro ao lado, apoiei-me, e em um instante estava do lado de dentro. Abri o portão menor e caminhei no escuro. Parecia mais frio que o normal. Das outras vezes não estava sozinho e era estranho agora. A noite mostrava o céu limpo e com poucas estrelas. Chegando ao fim do corredor avistei o quintal, era grande, quase do tamanho de uma quadra. Havia uma árvore no centro e o chão era de terra com algumas poucas plantas que cresciam de forma desordenada. Olhei para todos os cantos, inconscientemente, talvez para certificar-me de que estava sozinho ali. Foi então que a vi. A noite é cúmplice do medo. E naquele momento senti medo. Medo do desconhecido, do não explicado, um medo infantil talvez. Firmei os olhos para tentar enxergar melhor. No fundo do quintal, onde o muro fazia curva, havia algo que se parecia com uma mesa, ou com aquelas camas de hospitais. Mas era pequena. Sentia medo, mas estava curioso. Curioso ou atraído, não sei definir. A mesa tinha quatro pés e deles subiam quatro canos de ferro que pareciam ter mais ou menos meio metro. Ao final, o tampo da mesa. E em cima da mesa, uma caixa. Pequena, de formato retangular. Saindo de dentro da caixa, uma luz fraca que escapava sem vontade de sair. Como a luz que vê alguém que observa um estádio iluminado pelo lado de fora. Vendo apenas o brilho que flutua sobre ele. Com a curiosidade vencendo o medo, comecei a andar em direção à mesa. Aproximei-me devagar, com receio, receio de ser descoberto? Receio de defrontar-me? Com o quê? Continuei caminhando. Naquele momento já não sabia se queria encontrar alguma coisa ou somente certificar-me de que não era nada. Ao chegar não hesitei e olhei dentro da caixa. O horror. O pavor. O rosto, o corpo, a criança, o adulto, o quintal, onde eu estava? Tomado de nojo e um sentimento miserável de piedade continuei olhando. Não queria olhar. Não queria ver. Dentro da caixa uma criança, o corpo de uma criança, com o rosto de um adulto. Imóvel. Ali, cercado por uma pequena luz branca que vinha de dentro da caixa, da criança, cercando-a. Meu estômago embrulhava. A repulsa que tomava conta de mim fazia-me querer correr, mas eu me mantinha, e olhava. Não havia expressão no rosto adulto. Estava calmo, sereno. Inerte. Feliz? Seria um adulto? Uma criança? Ali, real. Pensei em gritar, pedir ajuda, correr, em tomar toda a coragem do mundo e tirar a criança da caixa e levantá-la nos braços. Não fiz nada. Com a respiração pesada fui afastando-me. Andei de costas até atravessar o quintal. Tomei o caminho de volta e cheguei ao portão pequeno. Passei por ele, pulei o portão maior e alcancei a rua. Caminhei durante toda a noite sem saber aonde ir ou o que fazer. Dias depois voltei à mesma casa. Toquei a campainha. Atenderam. Entrei. Conversamos, rimos e brincamos. Da janela da cozinha, olhei para o quintal. Não havia nada. Nunca mais houve nada. 引用通告此日志的引用通告 URL 是: http://wanderrodrigues.spaces.live.com/blog/cns!A2EF59F7F2154DDA!124.trak 引用此项的网络日志
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